"Nada para nós, sem nós!" Confira a fala de Robert Montinard na Revisão de Progresso do Fórum Global sobre Refugiados
- Associação Brasileira de Apoio a Integração de Migrantes

- 31 de dez. de 2025
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Durante a Revisão de Progresso do Fórum Global sobre Refugiados, realizado pelo ACNUR durante os duas 14 a 18 de dezembro, Robert Montinard, co-fundador da MAWON, denunciou os efeitos desproporcionais da crise climática sobre populações refugiadas e deslocadas à força, reforçando a necessidade de políticas climáticas inclusivas e centradas nos direitos humanos nas Américas. Confira seu pronunciamento abaixo:
Bom dia a todas e a todos,
Meu nome é Robert Montinard, sou haitiano e vivo no Brasil desde 2010, em decorrência do terremoto devastador que assolou meu país. Fui obrigado a partir para proteger minha família e lhe oferecer condições de vida mais seguras e mais dignas.
No Haiti, a população enfrenta uma realidade extremamente precária: pobreza estrutural, instabilidade política, insegurança generalizada e acesso limitado à educação, à saúde e ao emprego. As catástrofes naturais recorrentes agravaram ainda mais uma situação que já era frágil. Nesse contexto, muitos haitianos são forçados a deixar seu país, não por escolha, mas por necessidade, para sobreviver e proteger seus entes queridos.
Falo aqui em nome da MAWON, uma organização engajada na interseção entre justiça climática, direitos humanos e deslocamentos forçados.
A crise climática provoca hoje deslocamentos forçados em uma escala sem precedentes. Segundo dados do ACNUR, mais de 60 mil pessoas são deslocadas todos os dias em razão de impactos relacionados ao clima. É em nossa região, as Américas, que esse fenômeno é particularmente intenso — e onde ele corre o risco de se agravar ainda mais nos próximos anos.
As catástrofes climáticas e os eventos extremos afetam de maneira desproporcional as pessoas refugiadas e deslocadas à força, que já vivem em situações de grande vulnerabilidade. Tive a oportunidade de levar essa mensagem à COP30, no Brasil, no mês passado, e desejo hoje reafirmar a mesma preocupação neste espaço.
Diante dessa realidade, recomendamos que os planos nacionais de adaptação e de mitigação climática, elaborados pelos Estados, incluam explicitamente as pessoas refugiadas e deslocadas à força. Elas estão na linha de frente dessa crise. Mais do que isso, se forem envolvidas desde o início, podem contribuir ativamente para a implementação das políticas climáticas, trazendo competências, conhecimentos e soluções concretas para as sociedades que as acolhem.
Por fim, reiteramos a importância de fortalecer, no âmbito das Américas, os compromissos e recomendações já integrados ao Plano de Ação do Chile, a fim de garantir que a resposta à crise climática seja verdadeiramente inclusiva e fundamentada nos princípios da proteção internacional.
Não há justiça climática sem justiça social.
Nada para nós, sem nós.
Muito obrigado.




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